O Vilão da Gestão Empresarial

 

Por Gabriel Fiori

Muito se fala nos dias atuais em melhorar a eficiência das organizações por meio da melhoria nos processos. Mas o que isso quer dizer na prática?

Em resumo, gerenciar uma organização por processos possibilita aos gestores entenderem quais as atividades operacionais – e de gestão – que realmente agregam valor para o negócio. Quando olhamos para a gestão das empresas, identificamos várias atividades que consomem tempo e recursos desnecessários, mas que não são visíveis no dia a dia. Para esse artigo, chamaremos esse evento de “estoque intangível”, ou seja: a paralisação de documentos, atividades e controles que ficam aguardando outras informações e atividades para serem concluídos.

Não é de hoje que sabemos que a escassez do tempo assombra os gestores e diretores de grandes e pequenas organizações. Com prazos e metas cada vez mais arrojados, o tempo se torna o grande vilão dessa empreitada. Mas o que muitos gestores e diretores não percebem é que o prazo – na maioria das vezes – é suficiente para entregar as metas. O grande problema é que os “estoques intangíveis” causam a perda do direcionamento das ações. E é nesse momento que saber olhar a organização por processos, faz toda a diferença para o atingimento dos resultados!

Uma das principais vantagens de uma organização ser gerenciada por processos é a capacidade de visualizar a interação dos setores ou áreas. Muito mais do que a expressão “minha parte eu fiz”, as pessoas normalmente só conseguem visualizar as atividades desenvolvidas dentro do seu setor, e se contentam em entregar aquilo que o “setor”, ou gerente do setor, exigiu – neste ponto podemos identificar uma das causas dos estoques intangíveis. Quando uma organização é gerenciada por processos, os funcionários e diretores conseguem visualizar as atividades como um todo, identificando soluções e melhorias operacionais que realmente agregam valor.

A implantação da metodologia de Gerenciamento de Processos – BPM: Business Process Management –  busca uma mudança cultural nas organizações. O BPM visa auxiliar as organizações a implantarem essa mudança cultural, já que toda discussão ou melhoria da empresa estará centrada em processos/atividades e não em pessoas ou setores.

Logo, se esses “estoques intangíveis” estão presentes nas atividades operacionais das organizações, estarão presentes também em atividades de Governança Corporativa, em situações consideradas habituais nas organizações, mas que ficam invisíveis na gestão, como por exemplo:  elaboração de relatórios gerenciais com excesso de informação, indicadores de performance pulverizados, controles burocráticos, ERPs subutilizados e reuniões de Conselhos de Administração improdutivas. Sendo assim, os resultados esperados com a estruturação de uma Governança Corporativa divergem com os resultados obtidos, impactando diretamente nas estratégias gerenciais das empresas.

Por meio da junção de diversas metodologias de melhoria de eficiência – como Lean Manufaturing, Seis Sigma, FMEA, entre outras – o Gerenciamento de Processos nas organizações se torna um diferencial competitivo como metodologia de geração de resultados. No momento de crise econômica, muitas empresas passam por transformações traumáticas – como perda de receita e redução da equipe– e acabam não se atentando às oportunidades que são geradas nesse cenário. Empresas orientadas por processos conseguem identificar essas oportunidades e melhorar sua performance de resultados financeiros.

 

Gabriel Fiori é bacharel em Administração de Empresas pelo Centro Universitário Claretiano, com MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Trabalha como Consultor desde 2005, focando em aumento de produtividade. Trabalhou em mais de 8 projetos de certificação NBR ISO 9001:2008 e projeto de certificação de Boas Práticas de Fabricação (ANVISA). É professor para matérias de Planejamento, Empreendedorismo e Gestão Empresarial para os cursos de Administração e Logística. Realiza palestras sobre Planejamento Estratégico e Gestão para entidades não governamentais. É sócio fundador da SOWER PARTNERS.

Este artigo reflete as opiniões do autor e não deve ser interpretado como opinião da BM&FBOVESPA ou como recomendação de investimento. A BM&FBOVESPA não se responsabiliza nem pode ser responsabilizada pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência de seu uso para qualquer finalidade.

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