Onde estão as Oportunidades?

Muito se ouve e se fala sobre a crise política e econômica brasileira e suas possíveis (e em muitos casos, já mais reais do que todos nós gostaríamos) influências no dia a dia da população e nas empresas aqui instaladas.

Pois bem, aproveitando um jargão da economia, podemos dizer que em “momentos de crise, boas oportunidades aparecem”, mas como aproveitar ou saber decifrar estas oportunidades em meio a um bombardeio de noticiais ruins: aumento do dólar, crise na Petrobrás e estancamento dos investimentos desta gigante, aumento da taxa Selic, redução do crédito para diversos segmentos, entre outros?

Apesar de não parecer ser algo simples, a resposta para este e diversos outros questionamentos está mais próxima do que todos nós imaginamos. Basta um olhar crítico e um pouco mais cuidadoso para encontrarmos algumas pequenas, mas significativas oportunidades.

Pensemos um pouco sobre nossas casas, será que podemos melhorar a “Gestão Financeira do Orçamento Familiar”? Isso mesmo, será que conseguimos, sem grandes cortes ou mudanças drásticas, melhorar a eficiência de tudo que usamos e consumimos em nossos momentos de lazer, descanso e dia a dia? Talvez evitar que uma luz fique acessa sem necessidade, reduzir os gastos com alimentos que não serão consumidos, comprar apenas o necessário, usar o telefone apenas para assuntos urgentes e de forma rápida?

Talvez, agora alguns de vocês estejam se perguntando, “mas o que isso tem a ver com minha empresa e como estas ações irão me ajudar a encontrar uma oportunidade em momento de crise ou então, ao menos, não sofrer duras consequências com a mesma”?

Realmente pode parecer um pouco complicado associar as despesas domésticas, com a infinidade de contas e despesas de nossas empresas, mas, na verdade, o mesmo conceito de Redução de Despesas e Custos que aplicamos em nossas casas, pode e deve ser aplicado em nossas organizações. Neste mesmo sentido e tão importante quanto a questão de redução de despesas e custos, devemos pensar no controle e análise constante dos resultados financeiros e operacionais dos nossos negócios.

Quando falamos em Redução de Despesas e Custos, não estamos nos referindo, necessariamente, a corte de pessoal, redução de turnos de trabalho, diminuição dos investimentos estratégicos e outras ações talvez drásticas demais para empresas que estejam saudáveis financeiramente. Na verdade, a busca pela Redução de Despesas e Custos, pode ser obtida com o aumento da eficiência operacional, maior produtividade da equipe, conscientização sobre a importância de evitar perdas, necessidade de fazer mais com menos, renegociação com credores, melhores condições comerciais com parceiros e fornecedores, entre outras.

O importante aqui, dependendo do caso e da situação de cada empresa, não é fazer uma alteração drástica e muitas vezes dolorosa para sócios, funcionários e sociedade, mas sim, saber utilizar um momento de “desconforto econômico” para ajustar eventuais acordos ou políticas que já não são benéficas e não mais se adequam à  atual realidade da empresa. Resumindo, temos a oportunidade de usar a fragilidade do mercado para reduzir ou evitar despesas e custos desnecessários e fazer com que isso se perpetue e gere resultados ainda melhores em tempos de bonança.

Chegamos a um ponto interessante de nossa reflexão, pois apesar de alguns de vocês já terem identificado algumas melhorias e “cortes” que podem ser feitos, talvez ainda seja necessário explorar as finanças da empresa um pouco mais a fundo, para se chegar a conclusões mais assertivas. Neste caso, é extremamente importante que tenhamos algumas informações em mãos para uma análise crítica, tais como:

  • Orçamento Anual de 2015;
  • Fluxo de Caixa Atualizado;
  • DREs consolidados dos dois ou três últimos anos;

O primeiro nos ajuda a olhar para o futuro da organização, saber o que planejamos financeiramente para a empresa e quais os resultados que este plano, se 100% concretizado, trará ao final do exercício. É importante acompanhar o mesmo, mês a mês, para que eventuais desvios sejam tratados a tempo e não afetem o resultado final. O segundo, nos diz quais nossas obrigações financeiras e nos ajuda a planejar / antever eventuais desencaixes financeiros. Já o terceiro, nos conta um pouco sobre o passado recente da organização e pode nos apontar eventuais mudanças de política que fizemos em um momento de sobra de caixa, mas que agora precisa ser revisto.

Aqui não falamos ainda de oportunidades na área produtiva, melhoria de processos para aumento da eficiência; de qualidade, adequação a normas e processos de produção enxuta para redução de desperdícios; e tão pouco da área comercial, definição de metas e políticas comerciais claras para estimular a área de vendas e estudo sobre potencial do mercado e participação da nossa empresa, mas não nos faltarão oportunidades para discutir estes e outros tantos assuntos essenciais para a gestão dos nossos negócios!

 

 

Gustavo Pupin – Sócio Fundador da SOWER PARTNERS

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